Eu estava tomando banho quando de repente entendi. Veio como um flash, sem esforço, rápida e certeira. Sempre fui racional, desde menina, e me perguntava por que aquelas perguntas me irritavam tanto. Encontrava-me com ele e eram as mesmas perguntas: "dormiu bem?", "como foi na escola?", "almoçou o que", e aquilo me irritava tanto. E eu não entendia, porque eram perguntas banais que um pai que não vê a filha todos os dias deveria fazer. Eis que hoje me veio a resposta: não era justo, eu respondia, eu falava, ele sabia o que se passava comigo, mas eu não sabia o que se passava com ele. Tive que aprimorar meu poder de ler pensamentos, comecei a ficar um pouco mais esperta e identificar as entrelinhas. Foi um esforço a mais, cansativo, até doloroso, melhor pra mim levando em conta alguns aspectos da vida e algumas pessoas que cruzam nosso caminho. Vai ver é por isso que hoje eu gosto é da claresa, da pergunta e da resposta direta, seca e sem rodeios. Freud explica.
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